Noite e relva suave, fria.
Negro olhar de cortesia,
Na imensidão a Lua luzia.
Meu fôlego tão cadente,
Meus braços nesta corrente,
Meu poço de fogo ardente.
Eu, alma da noite impura,
Morro aqui nesta clausura,
Roto em maldição sem cura.
Minha alma de intenso amor
Sopra aos ventos o sabor
Tão amargo de minha dor.
Vida, devaneio simplório,
Minha boca canta ódio!
Vapores vadios do ópio.
Que insânia desesperada!
Cárcere desta amurada,
E que prisão, desalmada!
Olhar cortês da paixão
Devora meu coração
Inabalável, trovão!
Correntes hão de partir!
Lágrima não mais cair!
Deste poço irei sair!
Mariposa, alma da fé,
Asas que irrompem maré,
Abriu os olhos, pôs-me em pé.
Então voei de encontro ao mundo
E subi aos céus num segundo,
A vibração do profundo.
Mas que vida além da vida!
Como é doce esta partida!
Contentamento em medida!
Apaixonei-me na Lua,
Brilho banha a pele nua.
Quero ir ao negro infinito!
Declarar tudo que sinto!
Paixão aflorada no instinto!
Enchendo a noite vazia
Com a sua alva luz tardia
A Lua da melancolia.
Simples sentimento - quente!
Caminharei sempre em frente!
E brilhar minha alma doente!
Versos de minha jornada
Em que lutei uma cruzada
Até a Lua, tão bem amada.
Com seu lume de emoção
Expurgou o lamento vão
Que encharcava o coração.
Esta alegria em mim contida
Trouxe-me uma nova saída
Através desta subida.
Agora, ao lado da Lua,
Beijo a noite que pontua
A suave e sublime altura:
As correntes do seu olhar...

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